Novo Entendimento do STJ sobre o FGTS
Recentemente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) atualizou seu entendimento acerca da divisão do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) durante o processo de separação de casais. A nova decisão estabelece que os valores acumulados nas contas do FGTS, durante o período de casamento ou união estável, são passíveis de divisão entre os ex-cônjuges, mesmo que esse montante ainda não tenha sido sacado. Essa mudança tem implicações significativas para aqueles que se encontram nesse cenário.
Como Funciona a Partilha do FGTS
A partilha dos valores do FGTS deve seguir as regras do regime de bens sob o qual o casal conviveu. No caso da comunhão parcial de bens, o valor depositado na conta durante o casamento pode ser incluído na divisão de bens. Isso significa que a quantia acumulada pode ser considerada na partilha mesmo que não tenha ocorrido o saque pela parte interessada.
Casamento e União Estável: Regras da Divisão
A decisão do STJ é aplicável tanto para casamentos quanto para uniões estáveis. Ao se aferir o patrimônio comum do casal, ele deve incluir todos os depósitos feitos nas contas do FGTS durante tais períodos. Este novo entendimento clarifica que, independente da data em que o trabalhador começou a contribuir para o fundo, apenas os valores relativos ao tempo de união devem ser considerados na divisão.

Quando o FGTS Pode ser Retirado?
É importante salientar que a possibilidade de realizar o saque do FGTS está condicionada a situações específicas predefinidas por lei, que incluem:
- Demissão sem justa causa;
- Aposentadoria;
- Aquisição da casa própria;
- Doença grave ou necessidade urgente devido a desastres naturais;
- Falecimento do titular; entre outras especificações.
Assim, se o trabalhador ainda não tiver sacado o FGTS no momento da separação, isso não obstrui o direito do ex-cônjuge de reivindicar sua parte na partilha dos bens.
Direitos dos Ex-Cônjuges na Partilha
Após a separação, a primeira etapa para que o ex-cônjuge receba sua parte envolvem:
- Verificação do saldo acumulado durante a união;
- O envio de um ofício à Caixa Econômica Federal, quando necessário, para a reserva do montante correspondente;
- Posterior saque após uma das situações de saque autorizado ocorrer.
Deste modo, a parte do FGTS que pertence ao ex-cônjuge pode ser reservada e posteriormente acessada quando formalizada a necessidade de saque.
Como Consultar Saldo do FGTS?
O trabalhador pode facilmente verificar seu saldo e o histórico de depósitos do FGTS através do aplicativo oficial do FGTS, disponível para dispositivos móveis. Nesse aplicativo, é possível observar a data de cada depósito feito pela empresa e examinar se há valores que compreendem o período de união.
Impacto da Decisão do STJ na Comunhão de Bens
A decisão do STJ pode modificar significativamente o entendimento sobre a divisão de bens, especialmente de casais que estão sob o regime de comunhão parcial. O patrimônio acumulado, que antes poderia não ser considerado no momento da separação, agora deve ser observado e pode ser dividido. Isso não apenas afeta ex-cônjuges em casos de divórcio, mas também aqueles que estão em processos de separação em uniões estáveis.
Exemplos Práticos da Divisão do FGTS
Citando um exemplo prático, se um indivíduo iniciou seu trabalho em 2010, casou-se em 2018 e se separou em 2026, somente os valores depositados entre 2018 e 2026 entrarão na conta do FGTS a ser considerado na divisão. O montante acumulado antes do casamento, ou depois da separação, não contará para a partilha.
O Que é o FGTS e Sua Importância?
O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço foi criado com o intuito de servir como uma proteção para o trabalhador em momentos de demissão sem justa causa, aposentadoria ou outras necessidade financeiras. O FGTS é alimentado mensalmente pelo empregador, que deve depositar 8% do salário do trabalhador em uma conta vinculada. Esse valor é de responsabilidade da empresa e não pode ser descontado do salário do funcionário.
Como Utilizar o FGTS na Aquisição de Imóveis?
O uso do FGTS para adquirir um imóvel é uma opção vantajosa. Para que o trabalhador possa utilizar esses valores, é necessário seguir as diretrizes legais que regulamentam a utilização do fundo. O montante pode ser empregado na compra da casa própria, o que se torna uma informação relevante em casos de separação, pois a propriedade adquirida com o uso do FGTS também pode ser discutida na partilha de bens, refletindo o valor acumulado durante a união.


