O que é o FGTS e sua função
O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) é um recurso financeiro destinado a proteger o trabalhador demitido sem justa causa, garantindo uma reserva financeira que pode ser utilizada em momentos de necessidade. Durante o período de trabalho, o empregador é obrigado a depositar um percentual do salário do empregado em uma conta vinculada ao FGTS. Essa conta pode ser acessada em situações específicas, como na compra da casa própria, em caso de doenças graves e, principalmente, no momento de desligamento do funcionário.
Divórcio e partilha de bens explicados
O divórcio é o processo legal que dissolve um casamento, muitas vezes levando à necessidade de partilhar os bens adquiridos durante a união. A partilha de bens deve respeitar as disposições legais previstas, considerando o regime de bens ao qual o casal está sujeito. Essa partilha pode ser amigável, quando ambas as partes concordam, ou litigiosa, quando há desacordos. O modo como os bens são divididos pode afetar significativamente a situação financeira de ambos os cônjuges.
Regime de comunhão parcial de bens
No contexto do regime de comunhão parcial de bens, todos os bens que forem adquiridos durante o casamento, exceto aqueles que forem heranças ou doações, pertencem ao casal e devem ser partilhados em caso de divórcio. Cada cônjuge tem direito à metade dos bens comuns, o que inclui propriedades, dinheiro, investimentos e também valores depositados em contas como o FGTS, que são fruto do esforço conjunto durante a união.

Decisão do STJ sobre o FGTS
Recentemente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que o FGTS acumulado durante o casamento deve ser considerado na partilha de bens em caso de divórcio no regime de comunhão parcial de bens. Essa decisão assegura que os valores depositados na conta do FGTS durante a convivência, mesmo que ainda não tenham sido sacados na hora da separação, são parte do patrimônio comum do casal e devem ser compartilhados.
Como identificar o patrimônio comum
Identificar quais bens compõem o patrimônio comum durante um divórcio é um passo essencial para garantir uma partilha justa. Isso envolve analisar cuidadosamente tudo o que foi adquirido ao longo da união. O FGTS, que é resultado do trabalho de ambos e depositado na conta do trabalhador, entra nessa contabilidade. Para isso, é importante ter acesso aos extratos e comprovantes dos depósitos realizados durante o casamento.
Diferenciação dos valores de FGTS
Uma questão essencial a ser averiguada é a diferenciação dos valores de FGTS acumulados antes e durante o casamento. Segundo as normas aplicáveis, apenas os valores depositados durante a união são comunicáveis e divididos. Valores anteriores à união permanecem como patrimônio exclusivo do titular, não sendo considerados na partilha, o que gera a necessidade de um levantamento detalhado dos saldos.
Importância da documentação adequada
Na hora de separar os bens, a documentação adequada é fundamental. Os extratos do FGTS, que mostram os depósitos, saques e o saldo na data do casamento, são essenciais para que cada parte tenha clareza sobre o que lhe cabe. Sem esses documentos, torna-se difícil comprovar os valores e garantir uma partilha correta. Manter registros organizados e corretos pode evitar conflitos desnecessários.
Assessoria jurídica no divórcio
Contar com assessoria jurídica especializada em direito de família é altamente recomendado durante o processo de divórcio. Um advogado pode auxiliar na correta identificação dos bens a serem partilhados, garantindo que todos os ativos, incluindo o FGTS e outros recursos, sejam reconhecidos e divididos de maneira equitativa. A orientação profissional é crucial também para evitar omissões ou confusões que poderiam encarecer a separação.
Cuidados na partilha do FGTS
Durante a partilha do FGTS, é importante tomar alguns cuidados especiais: primeiro, tenha em mente que apenas o valor gasto na aquisição de bens durante o casamento pode ser considerado. Em segundo lugar, se algum saque do FGTS foi realizado para a compra de um imóvel ou outro ativo, isso deve ser bem analisado para evitar a dupla contagem. O imóvel ou bem adquirido com esses valores já representa o FGTS na partilha.
O futuro do FGTS nas separações
Com a decisão recente do STJ, o futuro do FGTS nas separações parece mais claro. Esse recurso deve, de fato, ser considerado um ativo importante na divisão patrimonial, refletindo o esforço conjunto dos cônjuges. Esse entendimento não apenas protege os trabalhadores que, em sua maioria, são os que concentram a maior parte das contribuições de FGTS, mas também proporciona uma abordagem mais justa na divisão dos bens na separação. Assim, o FGTS deixa de ser visto apenas como um recurso individual e passa a ser reconhecido como parte da construção de patrimônio comum durante o casamento.

